De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de um quinto da população mundial é viciada em cigarro. Um terço é tabagista passivo – aquele que inala a fumaça em ambientes em que outros fumam, estando sujeito a desenvolver as mesmas doenças.
Somente na fumaça do tabaco, encontram-se mais de 4.700 substâncias conhecidas e danosas ao organismo, entre eles, o monóxido de carbono, que interfere no trânsito do oxigênio até os tecidos, o óxido de nitrogênio, responsável pelo enfisema pulmonar, e a nicotina, que tem ação estimulante e responde pela dependência quÃmica, além de metais pesados. Os componentes são oxidantes e, na inalação, potencializam a aterosclerose nos vasos sangüÃneos.
A cada ano, morrem cinco milhões de pessoas por doenças relacionadas ao tabaco, sendo três milhões nos paÃses desenvolvidos e o restante, nos paÃses em desenvolvimento, como o Brasil. Segundo as estimativas da OMS para 2025, caso não exista um programa efetivo que diminua bruscamente o consumo, haverá um aumento de mortes: serão 11 milhões por ano.
“Para quem deseja parar de fumar, sem ajuda profissional, a chance de conseguir após um ano de tentativas é de apenas 5%. Mas com o apoio de uma equipe especializada, o Ãndice fica entre 50% e 70%â€, explica o pneumologista Sérgio Ricardo Santos, coordenador do Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo (PrevFumo) da disciplina de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Ele diz ainda que medicamentos empregados em ação conjunta somam benefÃcios e são eficazes no tratamento. Terapias de reposição de nicotina, Vareniclina, Bupropiona e Nortriptilina são os mais usuais. Porém, só uma consulta ao especialista pode indicar qual o caminho ideal para cada caso.
Doença X fator de risco?
O tabaco é o maior causador isolado de câncer, além de ser responsável por 30% das mortes por neoplasias. O risco de desenvolver algum tipo de doença cancerÃgena é de 4 a 15 vezes superior no fumante do que nas pessoas que nunca fumaram.
“É preciso encarar o tabaco como uma doença crônica, conversando e orientando o paciente quanto ao tratamento para sua interrupçãoâ€, afirma a médica Maria Vera Cruz de Oliveira, chefe do Ambulatório de Tabagismo do Hospital do Servidor Público Estadual. Visto como patologia grave, e não apenas como fator de risco para outros males, além da iniciativa do tabagista em abandonar o vÃcio, em situações de alto grau de dependência, é preciso acompanhamento médico e intervenção terapêutica. O apoio de colegas e familiares também é imprescindÃvel para incentivar a cessação do fumo.
“Não se pode associar o tabagismo apenas como co-morbidade, e sim uma doença que é tão ou mais difÃcil de ser controlada quanto o diabetes, por exemploâ€, salienta o pneumologista Rafael Stelmach, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).
Nas doenças cardiovasculares, 25% das mortes relacionadas a essas enfermidades se devem ao tabagismo. Já nas patologias respiratórias, 85% dos portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) são fumantes.
Quem convive com fumantes, está mais suscetÃvel a desenvolver otites, sinusites, amidalites e pneumonias, prejudicando a função pulmonar. O tabagismo passivo acarreta irritação nos olhos, tosse, cefaléia e a piora de problemas alérgicos e cardÃacos. Em crianças, existe o perigo de desencadear asma, infecções respiratórias e no ouvido.
“Não existem formas de diminuir os danos causados pelo cigarro, a menos que o individuo pare completamente de fumarâ€, pontifica Maria Vera.
Medidas que fazem a diferença
Os especialistas sugerem algumas medidas que, se empregadas continuamente, podem ser muito úteis na luta contra o tabagismo:
- Ambiente livre de tabaco é uma boa forma de proteger o fumante passivo da exposição.
- Educar a população para controlar a alta prevalência e os seus malefÃcios é uma medida fundamental a médio e longo prazo.
- Esclarecimento freqüente na mÃdia, importante órgão de disseminação de informações e formador de opinião.
- Disseminar nas Unidades Públicas de Saúde programas de educação e conscientização sobre os malefÃcios do cigarro.
2 comentários
Ambiente Livre de Tabaco « …
Agosto 29th, 2007 às 11:05 am
1[…] não vou falar aqui sobre as mazelas causadas pelo cigarro, acho que todos já conhecem. Quero comentar sobre uma ação do Governo do […]
alberto
Fevereiro 5th, 2008 às 2:01 pm
2Gente burra existe no mundo inteiro. Imbecis doentes custam caro no mundo inteiro. Vamos deixar os cretinos fumarem, basta aumentar o preço dos cigarros em 900% que os próprios idiotas bancam o custo de suas doenças. PS: Não é ilegal ser burro.
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